Certa
vez , um menino negro ficou a observar num parque,
onde brincavam muitas outras
crianças, um pai
que levando o seu filho pela mão, carregava um molhito
de
balões de várias cores, que ia soltando à medida
que caminhava, recebendo em
troca as gargalhadas
alegres do filho, que ficava a ver o balão colorido
perder-se entre as nuvens.
O menino negro, parado junto a uma árvore,
via com
os olhos brilhantes, os coloridos balões
a subirem no azul brilhante daquela
tarde de primavera,
e ficava caladinho a sonhar.
De
olhar perdido nos balões que subiam
rumo ao firmamento, como se fossem flores
de sonho,
prontas a serem plantadas no Jardim de Deus,
que ele imaginava
colorido, feliz, cheio de todas as cores
que enchiam o seu sonho de menino
a
quem a vida dera tão pouco.
No entanto uma coisa entristecia o menino,
o senhor
que lançava os balões, não tinha nenhum balão negro.
Todos os que subiam no
azul lindo daquela tarde,
tinham cores vivas, garridas, o que deixava o menino
muito pensativo. Então muito constrangido, a medo,
chegou junto do senhor que
continuava a soltar balões
para receber as gargalhadas do filho e perguntou:
-
Senhor, desculpe incomodar, mas queria perguntar uma coisa.
Porque o Senhor
traz balões de todas as cores
e não traz nenhum negro?
Se o Senhor soltar um
balão negro, ele não sobe ao céu?
Aquele
pai sentiu um aperto no peito ao ver aquele
menino triste e ainda mais ao
compreender
a profundidade da sua pergunta.
Então, pegou no menino pela mão,
levou-o a uma loja
junto ao parque que vendia balões, comprou
um
lindo balão negro, encheu-o e voltando
com ambos os garotos para o parque,
soltou o balão negro,
que subiu majestosamente ao céu,
que se raiava já do
vermelho dourado do entardecer.
E
olhando a cara feliz do menino negro, que sorrindo
vendo o balão elevar-se rumo
ao jardim que ele imaginava,
o homem abraçou-o fortemente e disse-lhe:
-
Não é a cor que faz voar o balão, meu querido,
o que faz voar o balão é aquilo
que ele contém dentro de si,
e isso é igual para todos os balões, tenham eles a
cor que tiverem .

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